quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Truque do Desejo


A ultima vez que estive nesta sala, eu não pensava em te deixar. Na verdade o pensamento era outro bem diferente. Eu pensava em como multiplicar aquelas horas para ter mais do teu colo.
Mas os caminhos movimentam-se por contra própria, a gente nunca sabe que está se despedindo até que o fim chega.
Eu sai pela porta da sala, com a sensação de até logo mesmo sem acreditar realmente nisso.
Sai do seu carro sabendo que a partir dali tudo seria diferente. E foi.
Eu troquei os movéis da sala e você trocou de carro. Eu escureci o cabelo e você deixou a barba crescer.
Parei de ouvir algumas músicas, por que um dia você inventou de canta-las. Quando só deixar de ouvir algumas músicas não bastou, eu desliguei todos os rádios do mundo, do carro, do quarto, até o som da televisão eu tirei, por que toda música cantava a saudade que eu sentia, e as palavras que eu quis dizer mas preferi silênciar.
Evitei olhar minhas mãos por que até elas estavam sentindo falta das suas, sem perceber elas iam procurando outras mãos e só encontravam estranhos que não tinham o encaixe perfeito que só as tuas tinham.
Silenciei a mim mesma, ninguém mais ouvia minha voz, enquanto na minha cabeça ensaiava dialogos, explicações, situações. E não havia resposta satisfatória, afinal por que eu havia saido por aquela porta mesmo?
Hoje, enquanto eu passava por essas ruas que ja nos viram juntos tantas outras vezes, algo aconteceu. Até as ruas cansaram de me ver andando só e me trouxeram aqui na porta da sua casa onde tudo começou.
Ei, calma...não abre esses braços assim pra mim, e tira já esse sorriso do rosto. É dificil me concentrar e juntar todas as palavras que quero te dizer com esses braços em volta de mim.
Olha, me ouve. Presta atenção em mim um pouco. Eu vim aqui dizer que eu tenho medo de tudo que você me faz sentir, mas as ruas me trazem pra você, minhas mãos esperam por você, não tem graça atender o celular se não for pra te ouvir do outro lado. E eu cansei de passar pelas ruas em volta da sua casa, só pra ver se te encontro sem querer. E eu preciso voltar a ouvir "All my lovin", e não sentir dor ao lembrar de te ouvir cantando-a. Entende?
Eu não quero mais ir embora. E não quero mais que você vá embora, a menos que seja para voltar no dia seguinte. Será que você pode fazer isso por mim? Voltar no dia seguiinte?
E não precisa de jeito certo, só de você, errado mesmo, torto mesmo, cheio de duvidas, mesmo, tudo bem aceito o drama, desde que tenha você no meu portão no final do dia.


(Ouvindo: Depois de ter você - Adriana calcanhoto )

9 desassossegos.:

Thammy disse...

Sensação boa ao ler seu texto. Um socorro esperado pelo outro. Um abraço, sorriso... um alguém que tanto esperamos, esperando pela gente também. Eu pude sentir o ritmo do seu texto, como se estivesse vendo um filme.
Beijo.

Taíse Marques disse...

Sei exatamente como é essa sensação de ir. E querer voltar!
Sei também o quanto é difícil a gente continuar num mundo onde tudo está normal, mas para a gente está incompleto, tá faltando a parte mais importante...
Muitas vezes, tenho vontade de ir até äquela casa, dizer umas coisas a quem eu deixei lá... mas as palavras me fogem quando eu vou falar-lhe. Acho que vou dizer isso que você disse... não importa como ele é ou está, o que importa é que ele volte. Volte hoje e todos os dias :)

Amei o texto!! :D

Fabiane Aline disse...

Muito bonito o texto. Remeteu-me a uma história recente. Essa sensação de ter que fazer alguma coisa para tentar resolver aquilo que está errado ou achamos que está errado. Tentar superar a falta que uma pessoa faz na nossa vida. Não é fácil aprender seguir em frente sem sentir aquela falta, aquele pedaço que ficou. Sempre vem aquela sensação que poderia ser feito algo para tentar retomar ou que ele mesmo volte com as suas próprias pernas... tudo isso por causa da palavra esperança. Muito bem escrito o seu texto. Beijinhos.

Camila Paier disse...

Sabe o que mais me dói, ao ler os teus textos, Re? Me ver neles. Ver toda a minha história assim incompleta, desconstruída. Machuca. Muito, é muito mais que dilaceração. Se eu disser que a saudade anda enraizando por aqui, será que tu entende também? Post lindo, lindo.
Dois beijos!

R;* disse...

Me vi completamente no seu texto mais uma vez!rs
Não adianta acabar antes do fim, antes de tentar um pouco... Essa sensação de que tudo lembra é constantee! Vivi isso, mas resolvi tentar de novo! Estou feliz AGORA, depois a gente vê o que dá!
Seja feliz tambéém, sempre!
beeijo ;*

Ramos disse...

É um vão que tem na vida, que temos que preencher e colocar algo no lugar, mas não deixar esse vácuo aberto ^^

Parabéns!

bjauM!


www.suportedamente.blogspot.com

Ligia Barbosa disse...

"Ei, calma...não abre esses braços assim pra mim, e tira já esse sorriso do rosto. É dificil me concentrar e juntar todas as palavras que quero te dizer com esses braços em volta de mim. "

Ás vezes me sinto assim!rs
Aliás, quase sempre não consigo me concentrar e esqueço tudo que eu ia falar.

Adorei o texto!

Beijão

William disse...

Adriana Calcanhoto.
Taí, bom gosto musical.
Parabéns e sucesso.

val disse...

muito legal,adorei a postagem :D
http://valquiriaa.blogspot.com