segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Necessários


No auge da minha segunda-feira, ele mais uma vez revela algo sobre mim que eu sempre soube no meu intimo, mas dito assim, alto, pela voz dele, soa como um estigma inevitável:
- Você é o pior tipo de cega que existe. Aquela que fecha os olhos para o óbvio.
Olho envergonhada para ele e só consigo dizer entre resmungos que “Eu sei”, mesmo que o coração e alguns bons samaritanos preocupados com esse mesmo, tentem me alertar, ignoro. Fecho os olhos, ouvidos, fecho a porta e janelas de mim.
Com a sabedoria de quem me conhece há anos melhor do que a mim mesma, ele me olha triste pela janela do carro: "Teimosa feito mula, como pode?"
Não pode. Mas nasci com um dispositivo pré-programado, uma caixinha de pandora. Ansiosa, impulsiva, teimosa, carente, cansada, petulante, irônica e uma infinidade de maus adjetivos, que não cabem na escrita.
Mesmo assim, ele me olha com fé. Fé de que um dia eu pare de me doar tanto e de me doer. Fé de que um dia eu pare de ligar de madrugada para chorar as mágoas de quem insiste em querer demais o bem daqueles que vivem orbitando em seus próprios umbigos.
Ele tem fé mim, e não cansa de falar sobre uma grandeza que para mim só ele enxerga. E na grande maioria das vezes, é tudo que eu preciso para recuperar a minha fé no mundo.
Ainda existe mesmo gente assim?
Altruísta, dedicada, preocupada, doce?
Quando eu perco todos os caminhos de volta para casa, ele acende a luz de fora. E quando eu saio sem saber o que me espera, ele me pede, esperançoso, que eu realmente vá atendê-lo, para tomar cuidado.
Já perdi as contas das vezes que o decepcionei por ser alheia aos detalhes realmente importantes da sua vida, e quantas foram as vezes que liguei arrependida com as minhas melhores e mais sinceras desculpas. Dessas que só surgem quando achamos que estamos a ponto de perder algo realmente importante e insubstituível.
Ele nunca tentou me consertar. De um modo único e reconfortante ele aprecia todas essas maluquices tão próprias de seres como eu. Essa deve ser uma das inúmeras razões que faz dele uma pessoa necessária. Nesses tempos estranhamente modernos, onde ninguém se importa com ninguém e faz de todo mundo pessoas meramente substituíveis, existe alguém que se faz extremamente necessário no mundo.
Alguém que me faz querer ser assim: necessária.
Anos de devoção a minha pessoa, sem nunca reclamar ou pedir algo em troca; além de desejar que eu fosse feliz, que eu não me machucasse muito pelo caminho, que eu aprendesse a ser forte sem ser dura demais comigo mesma e com as pessoas.
Às vezes o telefone toca só para saber se eu dormi bem, se tenho me alimentado direito, essas coisas pequenas que só importam mesmo para aqueles que nos amam.
Existem pessoas que nos fazem querer ser menos. Menos carinhosa, menos atenta, menos preocupada, e tantos outros menos que juntos esfriam o coração e afastam a fé.
Mas como todas as travessuras e gostosuras do destino, há espalhadas pelo mundo outros tipos de pessoas. Pessoas que te fazem querer ser melhor. Pessoas que te fazem sentir-se doce e cheia de fé. Pessoas que te fazem querer mudar certas atitudes irritantes, que você nem se dava conta que tinha, tudo isso simplesmente porque há pessoas que merecem o nosso melhor, merecem nossa parte boa, decente, e sem rabiscos.
E é graças a esse tipo de gente que eu não desisto. Não me tranco. Não me vingo.
Por todos os tipos egoístas que encontramos, e situações desagradáveis que nos colocamos, por tudo que há de mal no mundo, para nós que insistimos em permanecer do lado branco da força, merecemos o máximo do bom, sem culpas.
E depois de mais duas horas ouvindo todos os pedidos de "cuide-se” e “não deixe sua luz apagar-se", eu mais uma vez prometo a ele, e a mim mesma, que vou cuidar-me melhor. Que vou aprender e mudar de rumo. Mais uma das inúmeras promessas que nos fazemos e merece ser cumprida.
E se não for pelo meu amor-próprio, que seja pelo amor que um ser iluminado decidiu me dedicar.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

(Re)amar.

"Mas o seu amor me cura, de uma loucura qualquer, é enconstar no seu peito, e se isso for algum defeito pro mim, tudo bem". - Lulu Santos


Dias de silêncio e uma internação em um santuario interno.
E eis que um dia eu volto, com um coração saltitante, e aquele velho sorriso no rosto. Mas a novidade é o fim de toda a minha solidão.
Quantos descaminhos o destino te reserva, até que você ajuste seus ponteiros?
Um dia eu conheci o nome dele, um sobrenome forte para uma personalidade gritante. Impossivel ser insensivel a tanta provocação, como não admirar um português tão bem escrito.
Um rosto tão interessante quanto a personalidade. Bonitinho mas ordinário, essa era a frase que me passava na cabeça quando via seu nome aparecendo.
Dois anos deixando a vida passar tão preto e branco. Dois anos no mesmo ambiente e era como se nós simplesmente orbitassemos em universos paralelos. Eu não o enxergava, e ele não me via.
Cheios de planos, eu com minha pretensa solidão. Ele procurando apenas um pouco de distração pós-horario comercial A gente sempre teima em esquecer que o destino adora brincar de desfazer nossas certezas.
Tantas vezes te olhei sem pretensão, te admirei de longe sem me atentar demais aos seus detalhes tão lindos e hoje necessarios.
Tão desesperador foi constatar que minha fuga, virara meu maior desejo.
Quanto tempo levou para eu perceber você, e merecer um pouco mais da sua atenção.
Meu universo hoje canta só por você.
De repente eu agradeço tanto descaminho, agradeço todas as histórias que não deram certo, todos os "nãos" que me deram. Tudo que eu vivi me preparou pra que eu chegasse a você.
Ouvir o timbre bonito que a sua voz tem, e o sotaque carioca-paulistano-sulista que me conta por onde você esteve todo esse tempo.
Ter seu colo no final do dia, simplesmente por ter esperado por ele em todas as horas anteriores do meu dia, ou porque o dia foi longo e dificil.
Sentir o cheirinho gostoso do seu pescoço e respirar aliviada.
Olhar você concentrado enquanto dirige, ou quando sorri envergonhado por perceber que eu estou te olhando.
Ter a delicadeza de me esperar dormir, mesmo que eu te deixe falando sozinho por conta disso.
São tantas as coisas ligadas a você que me fazem abrir um sorriso sem querer daqueles que fazem as pessoas se perguntarem: "Por que essa moça sorri tanto?"
Ele sabe, ele sabe.
A razão de tanto sorriso, tanta musica doce, tanta palavra bonita é ele. Que me dá tanto carinho e atenção que me faz esquecer tanto pontapé da vida.
E não me preocupo mais, as vezes ainda me assusto com a quantidade absurda de carinho que ele quer me fazer. As vezes ainda tenho que lutar contra meu impulso repentino de querer sair correndo, desconfiada. Afinal depois de só conhecer gente que mente e magoa, nos assustamos quando encontramos alguem assim, tão cheio de paz, querendo distribuir tanto amor.
Eu por ora, não peço mais nada da vida.
Ela acaba de me dar uma dadiva.
Um moço daqueles que eu não acreditava mais que existiam, apareceu. Olha só que sorte a minha.
E nele que eu penso em todas as horas do meu dia, e dessa vez, graças ao bom Deus, é reciproco.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Samba Meu.

- Onde está seu brilho? - ela me perguntava todos os dias.
O termometro personalizado da minha luz interna. Que de tão forte me transborda e vira um holoforte.
E quando apaga, causa todo tipo de reclamação, daquelas que congestionam as linhas dos SACs de mim mesma.
Enquanto eu ando pelas ruas a caminho de casa, Arlindo canta pra mim: "Quando a gente ama brilha mais que o sol".
E quando o amor acaba?
Olho no espelho, e repito pra mim: "Cade seu brilho?"
Teimosa, me recuso a deixar de brilhar.
Nasci vagalume. Quero sempre incendiar.
Herdei uma alegria que não me cabe. Todos os dias até arrisco uma seriedade que não me pertence, meia volta-volver, gargalho alucinada.
Se me recuso a permanecer, entendo que preciso movimentar-me. Não quero ser esse tipo de gente que espera que as coisas sejam diferentes, mas não mudam suas atitudes.
Vou então aprender a dançar, aprender a voar, aprender a fazer rir. Uma nova lingua, uma luta para fortalecer. Um samba para o corpo balançar. Até aprendi um novo prato, minha cozinha está em festa.
Bossa nova no coração, um banquinho, um violão. Whisky no copo. Viagem marcada.
Aos terapeutas, aquele abraço. Sou minha propria terapia. Se decido falar o que sei, crio uma nova religião.
Entre uma casa e outra, uma musica me desperta a mente: "Comigo é na base do beijo, comigo é na base do amor, comigo não tem disse-me-disse, não tem chove não molha, é desse jeito que sou"
E não é que às vezes eu me esqueço disso?
Sou um eterno (Re)começo. Se algo termina, me interno no meu paraiso, e em uma semana estou pronta para (Re)começar. Feliz e destemida.
Faço da segunda, meu novo sabado.
Mudo todas as musicas do celular. Compro um vestido novo, oculos escuro.Salto na estrada. Não corro da chuva, deixo meu corpo se molhar. Não espero mais nada dos outros, já esperando tudo da vida.
Abro a geladeira, pego uma gelada, o telefone toca, o sorriso se alarga. Brilho um pouco mais.
Lindos e Lindas me acompanham, onde estava toda essa gente que eu não reparei?
Ao retirar-me da equação do egoista, entrei em uma nova multiplicação.
Olha eu aqui de novo. Cheia de paz, cheia de luz. Fazendo vento, fazendo graça.
Assopro tua racionalidade torta para longe de mim.
Lagrimas nos olhos? Só se for de tanto rir. Eles querem me fazer rir? Eu deixo. Ser querida não tem preço. É conquista e responsabilidade eterna.
Passei por mais uma ponte. Bem que o Jorge Vercilo me avisou. Todos tornaram-se pontes e há ainda tanto a aprender.
Trabalho sob as runas musicais. Elas preveem meu futuro. Incerto eu sei, mas a decisão facilita a compreensão. De novo o Arlindo vem me visitar só pra dizer que não importa o que aconteça, a nossa vida será sempre um grande show, e todo show a gente sabe: TEM QUE CONTINUAR.

Fazemos nosso proprio show. Altamente performatico, com luzes coloridas, vozes desafinadas, brilho, paete, uma dança inventada e desajeitada. Poker Face.Coisa de gente alegre e corajosa.
A chuva cai. O velocimetro aumenta.O vento balança os cabelos, refresca, alivia.
Video-clipe eternizado pela memoria.

Essa é a vida que eu quis, Cazuza. Sério cara, a solidão é pretensão de quem fica escondido fazendo fita. Mas estamos, meu bem por um triz, pro dia nascer feliz.

Quem canta seus males espanta. Amor dado, multiplica. Tenho pena de quem é egoista. Não sabe tirar da vida seu melhor pedaço.

Já faz uma semana que sai do corpo. Algumas coisas já deixaram de fazer sombra, avistei velhas cidades, conheci novos lugares, encontrei o Dom. A capacidade de renovação foi presente de Deus na maternidade.

"O nosso amor a gente inventa, pra se distrair. E quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu"

A frase ecoa de fundo, olho em volta e sorrio aliviada. Vejo os rostos sorridentes dos que tem lutado por mim. Me sinto agradecida, abençoada.
Abro a janela, abro a porta. Escondo as chaves. Liberto a mim mesma.

Volto do meu passeio pelos becos de mim mesma, volto da viagem para enterrar em um deserto minhas lembranças dolorosas, deixei um cargueiro inteiro por lá.
Na quinta-feira, meu dia preferido da semana, ela mesma me diz sorridente: "Seu brilho voltou",
Eu sorrio. A gente sabe o que foi preciso para trazê-lo de volta.
Passo pela porta da copa e alguém me chama:
- Oi tudo bem?
- Tudo e você?
- Tudo otimo. Está cada dia mais linda hein?
- Obrigada
- Está amando?
- Na verdade deixei um amor-toxico.

Achei o equilibrio, um luz iluminou meu caminho, o lado branco da força nunca esteve tão azul.
Se a gente quiser o mundo se ajeita.
Vem cá "Novos Baianos", vem cantar pra eu dançar:
"No canto, no cisco, no canto do olho a menina dança, dentro da menina, ela ainda dança.
E se você fecha o olho, ela ainda dança. Até o sol raiar."

No meio dança, alguem chega perto, me abraça, e me sussurra no meu ouvido: Continue assim leve, continue sorrindo. Brilhe mais
Abraço de volta, e sorrio: Daqui por diante, vai ter que ser assim.
E agora eu sei que mereço toda essa felicidade que está se apresentando.Vem linda, Vem louca.
Vem emprestar-me tua graciosidade.

Ben, obrigada por dizer: "She had diamonds inside"

Entendi o recado. A verdade liberta.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Noite Feliz.


Noite Feliz, Natal novamente. E depois de um ano estamos eu e você aqui no mesmo lugar onde tudo começou.
Uma vida inteira sonhando que nosso destino se unisse, e no decorrer dela nossos caminhos forão cruzando-se tantas vezes.
No café da tarde na casa da sua mãe, na rua da casa da minha vó. Dou outro lado da linha do nextel do meu primo. Você ali, sempre do outro lado do rio, e eu na outra margem sempre indecisa entre atravessar a nado para te encontrar, ou permanecer seguindo minha vida sem você do lado de cá.
Tantas foram as vezes que a sua aparição abalou-me como um vendaval. Me fez querer mudar de cidade, me fez querer largar todos os homens que tive, me fez querer acrescentar um sobrenome ao meu.
Quando te tive, me perdi, e na pressa de me reencontrar fugi de ti.
Lembro-me de você me pedindo para ir contigo, e eu seguindo na direção contrária. E mesmo naquele época eu me perguntava "O que eu estou fazendo?" , afinal sempre senti dentro de mim que você era meu destino, e que todos os outros seriam apenas etapas preparatórias da mulher que só você merece ter pra si.
Agora sentada no seu quarto, enquanto você canta no chuveiro, lembro-me do que nos uniu, e lembro da nossa dor compartilhada, da saudade que sinto agora e você também.
Lembro-me de você deitado na cama com olhos marejados me pedindo colo, desculpando-se por não ter conseguido salvar o nosso amado. Esse homem tão bonito e tão forte, de repente estava tão fragil na minha frente. Foi quando eu soube que iria te amar pra sempre. Amar esse homem que não se envergonha de sentir. Que pede consolo, que abraça apertado, que perdoa, e que me pede pra voltar.
E quando eu te vejo saindo do chuveiro com o sorriso que me faz rir sem que eu entenda o porque, eu sei que posso viver isso pra sempre. Com você cantando: "Beautiful Day", desafinado, com o cabelo bagunçado, e perfume exalando. Posso então encostar no seu peito. Chorar minha saudade. Posso então viver um novo Natal, uma nova lembrança. Abraçar sua familia, ver você abraçando a minha. Olhar orgulhosa enquanto você finge que é um avião com a minha prima no colo. E ter esse riso bobo no rosto, enquanto um ou outro familiar me diz: Eu sempre soube que você ficariam juntos novamente.
Enquanto muitos diriam "Enfim Sós", eu te digo "Enfim Juntos".

Quero sair desejando "Feliz Natal" para o mundo, porque meu coração está em festa, e tudo por que você me faz acreditar que esse dia pode mesmo ser bom.

Esse são os bons votos, da menina que reencontrou o principe branco, e deseja que todos encontrem a tal felicidade que essa época do ano nos promete.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre o destino.



Nós brigamos. Pedimos perdão e ficamos horas nos culpando pela briga. Nós pedimos a Deus para esquecer, ao mesmo tempo que imploramos por mais uma lembrança.

Porque eu queria te esquecer mesmo?
Eu digo pra você não me ligar, e ligo brigando querendo saber porque você não me ligou. Não é porque eu te mandei ir embora, que você tem que ir. Pelo contrário, se eu grito com você é porque eu quero que entendas melhor que eu preciso que fique.
Nós fechamos a cara e juramos que precisamos seguir em frente, e pedimos todos os dias para só mais um passo para trás, para voltarmos aquela sensação de "compreensão" que só sentimos um com o outro.
É o elo invisivel e incompreensivel que não permite que nos afastemos demais. É ele que nos faz sentir saudade, e querer voltar para mais uma conversa, mais uma risada, uma ou outra história.

Eu vejo minha vida caminhando de forma impar. E o verão vem me apresentando a nova mulher que eu posso ser. Uma força descomunal que me faz ser a mais decidida das pessoas, e a mais humilde também, porque eu sei de tudo que eu posso, mas eu sei que olhar para trás, olhar para você ainda tem relevância para mim.
Eu ainda preciso te contar como foi meu dia, e saber se você está bem, se está se alimentando, se está inteiro, se seu coração está batendo e sua fé crescendo.
Eu preciso ver você melhor, meu bem. Preciso deixar tudo certo, e a porta aberta, para voltar as vezes e admirar de novo o amor mais doce e angustiante que já passou por essa terra.
Preciso terminar direito, com o peito aberto, sem dor, sem motivo ruim. Preciso olhar e admirar a vida que soubemos fazer. Eu volto para consertar todos os erros que cometi com você, e te permitir consertar os seus. Para que o amor que eu sinto torne-se livre de fato. Para que eu me reconstrua todos os dias. E volte a dar corda ao meu coração, para aqueles que estão me pedindo para entrar.

Há sempre algo novo querendo se apresentar. Há sempre um ponto de luz em todos os cantos do mundo. Há sempre uma mão carinhosa sendo ofertada, e um Deus misericordioso me estendendo seu colo cheio de amor, e me dizendo para não temer, que o meu caminho é cuidado por Ele, e foi isso que me fez entender de vez que para tudo na vida há o tempo certo, as pessoas que aqui me chegam tem seu proposito e partem quando devem. Se for para você ficar, não adianta eu te implorar para ir. Uma hora acabarás voltando, e a reciproca é verdadeira. Não adianta me agarrar aos seus quadris ou te amarrar a mim, se o teu destino for desconecto ao meu, partirás.
A solução sábia então é pura e simplesmente a compreensão de que vivemos ao maximo o que podemos, fazemos o melhor em todos os nossos passos, e o destino da estrada, nós olhamos para cima e entregamos ao Pai. Ele cuida de todos seus filhos com o mesmo amor. Basta que deixemos seus amor nos tocar.

Se for do teu destino se juntar ao meu, limparei meu coração, farei dele um lar, para quando você quiser entrar. Se for do meu destino do seu jardim cuidar, farei de mim uma nova mulher, disposta a buscar felicidade a todo instante para te presentear. E encher seus rosto de sorrisos todos os dias. E fazer do meu colo teu leito, todas as noites. Seu abrigo, e minha alegria.
Se for do meu destino outro ser encontrar, que eu te deixe tão feliz quanto estavás quando o encontrei. Que eu seja leve como outrorá fui, e que o fim me seja belo, e não amargo como a maioria dos fins parece ser. Seja qual for o destino que Deus escolheu para nós, eu só peço que na hora da decisão meu coração esteja aberto, assim como o seu. E que no final, só continue conosco o que foi bom.

sábado, 6 de novembro de 2010

Viver coisas novas


O céu mais estrelado do mundo lá fora. E eu continuo sentada na frente do guarda-roupa pensando no que vestir. A musica no ultimo volume me faz querer cantar junto. Não há planos, a única sensação que tenho no peito é de liberdade. Do algo novo que bate a porta.

Onde antes havia saudade, um dos poucos vestígios seus que me sobraram, hoje há muitas partes de mim, e quando fecho os olhos não vejo mais cenas do passado, e sim uma infinidade de novas escolhas, novas chances e uma nova mulher que não precisa de desculpas ou de ausências.

Eu sou uma nova presença requisitada por novas vozes do outro lado da linha, ou as mesmas vozes familiares, mas nenhuma delas é você. Acabou meu exílio, e minha espera interminavél pelo que não deveria mais ser parte da minha vida.

Planos e expectativas frustradas, sim. Mas já chorei demais por isso. Hoje só consigo rir. Rir de tudo que se foi, rir de mim mesma por me permitir tais situações. E dizem que rir de si mesmo é o caminho inicial para a felicidade plena. Sou eu assim, cheia de vontades. Com todas as janelas do carro abertas, e sem me preocupar se o vento vai ou não bagunçar todo meu cabelo. Canto alto uma musica que fala sobre (Re)começo.

Do meu lado, só pessoas que me querem bem. Só aqueles que preferem me fazer gostar mais, ao invés de me pedir para ser menos.

Sou eu de novo, com asas recuperadas e estou saindo para ver o sol.

Encontro-me em plenitude, sentada de frente pro mar, com "Jack Johnson" grudado no ouvido. E meu Deus, como eu preciso de paz. Como eu preciso de luz, para mim, para os que me cercam. Como eu preciso afastar de mim todos que dizem me amar, mas não sabem o que fazer com isso. Que me magoam mais do que os que declaradamente dizem me odiar. Cansei de toda essa insensatez de espirito, de gente que não se doa, não se manifesta, não se preocupa. Não basta dizer que gosta, se não me deixar sentir em todas as horas do meu dia esse tal gostar. Não me diz nada, se não tiver a intenção de demonstrar. Melhor assim.

Me deixe ser inteira com a minha vida em harmonia. Não me ofereça suas metades. Não as quero. Não te quero às vezes, quando não há nada melhor para fazer. Se for me querer, tem que ser em tempo integral, com toda a minha insanidade de ser. Se não posso contar contigo em todas as horas, não quero contar contigo em hora nenhuma.

Lembro-me de como eu era leve, antes de conhecer toda essa falta de zelo de quem eu zelo tanto. É isso que eu quero, voltar a ter essa leveza de espirito. Sentir sem medo. E por favor, meu Deus, como eu quero reciprocidade em todas as partes do meu sentimento.

Não quero mais manter um olhar vazio sobre o celular e sobre o relogio, até que ele ligue e acabe com minha espera. Quero esquecer que um dia inventaram o telefone, ou partiram o tempo em horas. Quero sair sem hora para voltar. E não esperar pela volta de mais ninguém. Ser for para ser só, serei só felicidade daqui para frente.

E o que não for me fazer rir até o espirito dançar, que nem me chegue, e se chegar que não me atinja, não me interesse, e não me fira.


Deixo aqui um sentimento de (Re)começo. Depois da queda, o passo de dança.


( Ouvindo: "Sexed Up" - Robbie Williams )

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Miss Brightside.


Olha lá a moça, deitada de olhos fechados parece tão calma, tão serena. Todos dizem que ela é a paciência. Ninguém sabe, ninguém vê. Nesse peito há tanto desassossego que a moça não dorme, não come, não desliga. De olhos fechados para o mundo, pensamento aberto em um mundo inventado. Seu mundo de boas invenções, amores certos, e o moço que abraça e perfuma ambientes. Ninguém sabe, ninguém vê, que nela tudo salta, tudo pula, tudo palpita. Sua alma grita. Seu coração agita. Porque na boca ela carrega o coração e o desassossego na bolsa, ao lado o celular e do batom;

Quando ela brinca de se colorir, ela colore o mundo. A sua tela nunca fica em branco, porque o mundo precisa da tabela infinda de cores para ser um pouco mais feliz. E quando ela brinca de musicar a vida, canta suas musicas, espalha suas histórias. Divide seu amor para quem ousa ouvir. Não há silêncio triste. Não há preto e branco melancólico. Tudo é luz. Tudo tem cor. Tudo tem ar de salão de festa, com gente dançando e sorrindo.

A moça que desassossega no mínimo um milhão de vezes ao dia. Encontra a paz onde o coração se esconde. Se chove, a dança é na chuva. Se faz sol, a pele agradece a pincelada de cor. Se venta, os cabelos brincam no vento. E seja lá o que vier sempre será recebido assim. Com bons olhos, e uma vontade de ser alegre, de um jeito nunca antes conhecido. Anos olhando em volta com um certo desespero, vivendo de procuras inúteis, ao olhar pra cima encontrou mais do que estava a procurar. Desligar-se do solo. Tocar o céu com o coração. Santuário.

A moça então percebe então que recebeu um presente divino, seu "Brightside", Olhar clínico para o bem das pessoas e das situações. Ser otimista apesar dos contrários que tentam provar que nesse mundo não há bondade. Que para não sofrer, é necessário um coração de pedra, e um sentimento de "não se importar com nada além de si mesmo".

Adeus, mau agouro. Dentro da menina ela ainda dança. E ama, e ora, e deseja.

De tão inteira que sou, as vezes me divido e me empresto. Meu prazo é indeterminado, e essa ignorância de nunca saber quando será o ultimo dia de emprestimo, eu decido brincar de eterno enquanto dure.