sábado, 12 de fevereiro de 2011

Samba Meu.

- Onde está seu brilho? - ela me perguntava todos os dias.
O termometro personalizado da minha luz interna. Que de tão forte me transborda e vira um holoforte.
E quando apaga, causa todo tipo de reclamação, daquelas que congestionam as linhas dos SACs de mim mesma.
Enquanto eu ando pelas ruas a caminho de casa, Arlindo canta pra mim: "Quando a gente ama brilha mais que o sol".
E quando o amor acaba?
Olho no espelho, e repito pra mim: "Cade seu brilho?"
Teimosa, me recuso a deixar de brilhar.
Nasci vagalume. Quero sempre incendiar.
Herdei uma alegria que não me cabe. Todos os dias até arrisco uma seriedade que não me pertence, meia volta-volver, gargalho alucinada.
Se me recuso a permanecer, entendo que preciso movimentar-me. Não quero ser esse tipo de gente que espera que as coisas sejam diferentes, mas não mudam suas atitudes.
Vou então aprender a dançar, aprender a voar, aprender a fazer rir. Uma nova lingua, uma luta para fortalecer. Um samba para o corpo balançar. Até aprendi um novo prato, minha cozinha está em festa.
Bossa nova no coração, um banquinho, um violão. Whisky no copo. Viagem marcada.
Aos terapeutas, aquele abraço. Sou minha propria terapia. Se decido falar o que sei, crio uma nova religião.
Entre uma casa e outra, uma musica me desperta a mente: "Comigo é na base do beijo, comigo é na base do amor, comigo não tem disse-me-disse, não tem chove não molha, é desse jeito que sou"
E não é que às vezes eu me esqueço disso?
Sou um eterno (Re)começo. Se algo termina, me interno no meu paraiso, e em uma semana estou pronta para (Re)começar. Feliz e destemida.
Faço da segunda, meu novo sabado.
Mudo todas as musicas do celular. Compro um vestido novo, oculos escuro.Salto na estrada. Não corro da chuva, deixo meu corpo se molhar. Não espero mais nada dos outros, já esperando tudo da vida.
Abro a geladeira, pego uma gelada, o telefone toca, o sorriso se alarga. Brilho um pouco mais.
Lindos e Lindas me acompanham, onde estava toda essa gente que eu não reparei?
Ao retirar-me da equação do egoista, entrei em uma nova multiplicação.
Olha eu aqui de novo. Cheia de paz, cheia de luz. Fazendo vento, fazendo graça.
Assopro tua racionalidade torta para longe de mim.
Lagrimas nos olhos? Só se for de tanto rir. Eles querem me fazer rir? Eu deixo. Ser querida não tem preço. É conquista e responsabilidade eterna.
Passei por mais uma ponte. Bem que o Jorge Vercilo me avisou. Todos tornaram-se pontes e há ainda tanto a aprender.
Trabalho sob as runas musicais. Elas preveem meu futuro. Incerto eu sei, mas a decisão facilita a compreensão. De novo o Arlindo vem me visitar só pra dizer que não importa o que aconteça, a nossa vida será sempre um grande show, e todo show a gente sabe: TEM QUE CONTINUAR.

Fazemos nosso proprio show. Altamente performatico, com luzes coloridas, vozes desafinadas, brilho, paete, uma dança inventada e desajeitada. Poker Face.Coisa de gente alegre e corajosa.
A chuva cai. O velocimetro aumenta.O vento balança os cabelos, refresca, alivia.
Video-clipe eternizado pela memoria.

Essa é a vida que eu quis, Cazuza. Sério cara, a solidão é pretensão de quem fica escondido fazendo fita. Mas estamos, meu bem por um triz, pro dia nascer feliz.

Quem canta seus males espanta. Amor dado, multiplica. Tenho pena de quem é egoista. Não sabe tirar da vida seu melhor pedaço.

Já faz uma semana que sai do corpo. Algumas coisas já deixaram de fazer sombra, avistei velhas cidades, conheci novos lugares, encontrei o Dom. A capacidade de renovação foi presente de Deus na maternidade.

"O nosso amor a gente inventa, pra se distrair. E quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu"

A frase ecoa de fundo, olho em volta e sorrio aliviada. Vejo os rostos sorridentes dos que tem lutado por mim. Me sinto agradecida, abençoada.
Abro a janela, abro a porta. Escondo as chaves. Liberto a mim mesma.

Volto do meu passeio pelos becos de mim mesma, volto da viagem para enterrar em um deserto minhas lembranças dolorosas, deixei um cargueiro inteiro por lá.
Na quinta-feira, meu dia preferido da semana, ela mesma me diz sorridente: "Seu brilho voltou",
Eu sorrio. A gente sabe o que foi preciso para trazê-lo de volta.
Passo pela porta da copa e alguém me chama:
- Oi tudo bem?
- Tudo e você?
- Tudo otimo. Está cada dia mais linda hein?
- Obrigada
- Está amando?
- Na verdade deixei um amor-toxico.

Achei o equilibrio, um luz iluminou meu caminho, o lado branco da força nunca esteve tão azul.
Se a gente quiser o mundo se ajeita.
Vem cá "Novos Baianos", vem cantar pra eu dançar:
"No canto, no cisco, no canto do olho a menina dança, dentro da menina, ela ainda dança.
E se você fecha o olho, ela ainda dança. Até o sol raiar."

No meio dança, alguem chega perto, me abraça, e me sussurra no meu ouvido: Continue assim leve, continue sorrindo. Brilhe mais
Abraço de volta, e sorrio: Daqui por diante, vai ter que ser assim.
E agora eu sei que mereço toda essa felicidade que está se apresentando.Vem linda, Vem louca.
Vem emprestar-me tua graciosidade.

Ben, obrigada por dizer: "She had diamonds inside"

Entendi o recado. A verdade liberta.

3 comentários:

cris disse...

estava com saudade, acompanho sempre seu blog, parabéns...
me identifico mto com suas lindas palavras.

Luaaz disse...

É tão bom descobrirmos que ainda existe um pouco de amor-próprio em nós!!

Ingrid Almeida disse...

lindissímo texto! me segue também? beijos.